Palco (Nada) Particular
10 conselhos de Carlos Drummond de Andrade a um escritor iniciante

por Michel Laub

Trechos (editados) da crônica A um jovem, publicada em A bolsa e a vida(1962):

1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.

2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.

3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.

4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.

5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.

6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.

7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.

8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.

9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.

10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

O Teatro e o “Absurdo”, de Lionel Abel em Metateatro

“Será “absurdo” o mundo em que vivemos? Tornou-se ele absurdo recentemente? E requer o nosso mundo, recentemente absurdo, uma espécie particular de arte teatral que expresse esse “absurdo”? (…)”
“Um mundo absurdo seria silencioso; não estaria inundado de peças.”
“Não é mais possível ao mundo tornar-se absurdo do que lhe é possível pecar, passar fome, ou cair. Há muitos absurdos neste mundo; mas a maioria deles sempre esteve presente.”

“Beckett é, sem dúvida, um homem muito estranho. Até mesmo a sua letra, que tive a ocasião de ver certa vez, é extremamente peculiar.”

“Para conseguir ver alguma coisa, o artista muito provavelmente está condenado a não olhar para tudo à sua volta. Existirá alguém que possa estar no centro das coisas em nossa época? Nem disso podemos ter certeza. Mas de uma coisa podemos estar certos: se alguém existir, esse alguém não será um artista.”

Seus olhos não têm nada de tristeza
nem de sofrimento.
Aliás, sofrimento sim,
sofrimento bom, que vem de não suportar
tanta ansiedade incendiando o coração,
tanto desejo represado.
Alma, em Gota D’água.
Não dorme, não come, não fala certo,
só tem de esperto o olhar que encara a gente
e pelo jeito dela olhar de frente,
quando explodir, não quero estar por perto.
Gota D’água, Chico Buarque e Paulo Pontes
Hoje eu quis dizer pra ele: Você pensa que é fácil?
Eu acho que ele sabe que não é. Mas tem um jeito atordoante de convencer a si mesmo, como se quisesse convencer a mim, de que talvez possa ser. E eu morrendo devagar, em silêncio, pelo caminho.
Se você achar meu coração perdido pela cidade, toque meu interfone e devolva.
Música Para Cortar Os Pulsos

Hoje eu quis abraçá-lo e fazê-lo sentir-se amado, porque aqueles olhos carentes me dizem que talvez ele jamais tenha sido de verdade. Pra cortar os pulsos. Hoje eu quis que ele nunca mais saísse do meu lado e quis que a minha vida se conectasse à dele. Quis fazer mais e mais parte, porque o amo até o desespero.

Música Para Cortar Os Pulsos

- As águas subiram… Vamos embora.

- Não. Eu não estou de acordo. Eu não vou continuar.

- Se o nosso mestre ficar, o que vai ser de nós? Vamos embora!

- Pense bem… O que é que eu vou dizer a mãe dessa criança quando voltarmos à terra natal? No fundo, não existe diferença entre doença e dor de amor. Por isso, eu quero ser submetido ao rito do mar… Ou então inventar uma nova lei: Não se mata o que se ama.

Em Taniko (Teatro Oficina)

“Se eu pudesse morrer no seu lugar, com que prazer eu morreria.”

em Taniko (Teatro Oficina)

Eu suspeito das palavras. Elas não me interessam, elas não me satisfazem. Sofro por causa do modo como as palavras esgotam a si mesmas. (…) Com palavras pode-se dizer qualquer coisa. Pode-se mentir por um dia inteiro, porém não se pode mentir quando se recria a experiência…
Louise Bourgeois
Eu sou a primeira que te chamou de “pai”.
Eu sou a primeira que te ouviu dizer “filha”.
Eu fui a primeira que se sentou em teus joelhos.
De você, eu ouvi que um dia eu seria feliz.
Ifigênia, Cia. Elevador de Teatro Panorâmico